terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Hipofise, Hipotalamo e Exercício

O hipotálamo é responsável pela  produção da maioria dos hormônios, atua  na modificação celular, desde a permeabilidade da membrana até as modificações metabólicas, como lipólise, glicólise e outras funções.

Como funciona?

De uma forma geral, tem-se uma glândula que produz um hormônio e a partir de um estímulo esse hormônio vai para a corrente sanguínea, que tem como objetivo chegar a um órgão alvo. Ao chegar nesse órgão alvo, tal hormônio causará um efeito.
Existem três formas de ação dos hormônios: parácrina, autócrina e endócrina.
  • Parácrina:  quando o hormônio age na célula ao lado da glândula da qual foi secretada;
  • Autócrina: quando o hormônio age na própria glândula;
  • Endócrina: quando o hormônio atinge órgãos distantes por meio da corrente sanguínea.
Também existem células neuronais capazes de secretar hormônios, essa substância hormonal é chamada de neurócrino.

Quem produz?

O hipotálamo é quem produz a maioria dos hormônios e envia para as glândulas. Os corpos celulares dos núcleos hipotalâmicos são os responsáveis pela síntese de hormônios, que vão para a hipófise por via dos terminais dendríticos, e esta é a responsável por armazenar e secretar tais hormônios. Ele faz contato com a hipófise, que é dividida em adeno-hipófise e neuro-hipófise. Com a adeno,a “ligação” é através do eixo hipotálamo-hipófise, que é um sistema vascular. Relaciona-se com a neuro-hipófise pela via neuronal.

Como ocorre a ativação celular desse hormônio?

A rota de ativação principal é pela adenilatociclase: o hormônio reage com o receptor de membrana da célula, formando a estrutura receptor-hormônio que ativa a enzima adenilatociclase. Esta é a responsável por converter AMP em AMPc e este atua como segundo mensageiro capaz de iniciar uma cascata de reações que irão originar o efeito do hormônio. Em reações musculares, a calmodulina é o segundo mensageiro.

Quais são os tipos hormonais?

Existem dois tipos hormonais: os chamados esteroides e os não-esteróides. Os hormônios esteroides são formados por colesterol e os ditos não-esteroides, por aminoácidos. Exemplos de esteroides, os sexuais: progesterona, testosterona; não-esteróides: tireoideos, peptídicas como a ocitocina e vasopressina.

Atletas com baixa densidade de gordura corporal apresentam amenorreia, devido a não produção de esteróides que estão relacionados com a menstruação.

A regulação da secreção é variável, podendo ser admitida a partir de feed back negativo (aumentoda concentração plasmática induz a inibição da enzima de síntese) ou por razões relacionadas ao metabolismo do corpo, como a glicemia alta que é o estímulo para a secreção de insulina pelas células beta do pâncreas.
Hormônios
  • Ocitocina: a ocitocina é um hormônio produzido pelo corpo celular hipotalâmico que será armazenado e secretado pela neuro-hipófise. A ocitocina é  estimulada pela sucção feita pelo bebê no peito da mãe durante a amamentação, ele então estimula a ejeção do leite e também atua na contração uterina. Não apresenta relação com o exercício físico.
  • Vassopresina ou ADH (hormônio anti-diurético):  produzido pelo hipotálamo, é armazenado e secretado pela neuro-hipófise. Durante o exercício, a concentração circulante na corrente sanguínea é aumentada, devido à desidratação causada pela sudorese .
  • Beta-endorfina: secretada pela adeno-hipófise, é considerada a mais importante endorfina dentre as outras (alfa e gama).Seu efeito é generalizado, sendo produzida a partir de um pró-hormônio (POMC). A POMC (Pro-opiomelanocortin) é sintetizada no córtex da suprarenal e captada pela adeno-hipófise, posteriormente sofrerá clivagensque darão origem às endorfinas. A beta-endorfina é sintetizada durante o exercício físico e liberada após 30 minutos de duração.Estudos apontam relação com vício pelo exercício em pessoas que praticam diariamente ou há bastante tempo, uma vez que o hormônio tem propriedades de analgesia, euforia e bem-estar.
  • Opióides: são substâncias derivadas do ópio, como a morfina, codeína e heróina. Utilizadas em amplas situações, todas geram estados distintos ao indivíduo. A morfina tem efeitos analgésicos, é muito utilizada em hospitais para tratamento de  queimados, portadores de câncer, e todos aqueles que sofrem de dor constante e forte. A cadeína é um analgésico menos potente do que a morfina e induz grande sonolência ao usuário. A heroína gera bem-estar e euforia ao usuário. Essas substâncias não são produzidas pelo corpo, diferentemente da beta-endorfina.
GH: GH ou hormônio do crescimento, é uma substância secretada durante toda a vida das pessoas, mesmo em diferentes fases. Durante o desevolvimento, tem como função a proliferação celular e na fase adulta, para a reparação tecidual. O GHRH é quem é produzido e liberado pelo hipotálamo e quem vai estimular a secreação do GH. A deficiência do GH gera nanismo.

Na prática esportiva, quanto maior a intensidade do exercício, maior será a concentração plasmática do hormônio, por necessidade de maior reparação tecidual. Em atletas, tem função de espessamento ósseo e crescimento de ossos chatos. O corpo produz uma quantidade “x”, portanto quando administrado exogenamente pode ser considerado dopping. O atleta que faz uso exógeno deve administrar em período que anteceda o campeonato para que a quantidade possa ser eliminada antes da competição. A medula adrenal é dividida morfologicamente em medula e córtex. A medula adrenal secreta catecolaminas e o córtex, aldoresterona, cortisol e DHEA.

Catecolaminas: são consideradas neuro-hormônios, uma vez que estão vinculadas ao sistema neural simpático. As catecolaminas são: a dopamina, a noradrenalina e adrenalina. A atividade física ativa a secreção de catecolaminas como a noradrenalina e adrenalina, elas ativam a lipase hormônio sensitiva (que aumenta mobilização de ácidos graxos visto que esse hormônio atua quebrando os triglicerídeos) e aumentam a atividade glicolítica.

O cortisol secretado pela zona fasciculada do córtex, tem como função principal ser antiinflamatório, também atua na síntese proteica e é conhecido como o hormônio do estresse. Portanto, em condições de atividade física em que o estresse é apresentado, a secreção de cortisol é acentuada. O estímulo para a secreção é via ACTH (adrenocorticótrofo) que é produzido pela hipófise. A administração de medicamentos corticóideis, uso exógeno, também tem ação antiinflamatória e causa retenção hídrica. É utilizado para acelerar o processo de cura e diminuir sintomatologia dolorosa, portanto é para atletas com inflamação fechada que não tenha bactérias. Além de efeitos antiinflamatórios, o medicamento bloqueia os mediadores da dor. O cortisol tem efeitos contra-regulatórios da insulina, portanto durante o exercício que há uma diminução da concentração de insulina plasmática, tem-se um aumento de cortisol, propondo hiperglicemia, visto que em situações de exercício a concentração já diminui e somado à ação do cortisol, essa concentração diminui mais.

A aldosterona secretada pela zona glomerulosa, faz regulação da composição eletrolítica dos fluidos. Atua nos túbulos contorcidos proximais no rim, aumentando a reabsorção de potássio, sódio e juntamente a água, por efeito osmótico. Perdas hídricas durante o exercício, ativam a aldosterona e a vasopressina.

Os hormônios tireódeos, secretados pela glândula tireóide, são importantes reguladores do metabolismo, aumentam a sua atividade metabólica. Pessoas com hipotireoidismo, possível falta de iodo além de outros motivos, apresentam redução na taxa metabólica basal e disposição para reserva de energia. Já pessoas com hipertireoidismo apresentam magreza, hipertensão e outros. Durante o exercício, a concentração de hormônios tireóideos são aumentadas , para que ocorra o aumento do metabolismo basal. Após o exercício, observa-se estabilização da concentração desses hormônios.

Pessoas que iniciam uma dieta e após algum tempo deparam-se com um platô, ou seja, a perda de peso é dificultada e não acontece, aconselha-se o início da prática de exercício físico, pois o exercício irá aumentar a concentração de hormônios tireoideanos aumentando também o metabolismo basal e tornando-se apto então a perda de peso. Esse platô inicial deve-se à adequação dos hormônios à nova ingesta calórica, admitindo ser a necessidade energética.

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