O hipotálamo é responsável
pela produção da maioria dos hormônios, atua na modificação
celular, desde a permeabilidade da membrana até as modificações metabólicas,
como lipólise, glicólise e outras funções.
Como funciona?
De uma forma geral, tem-se uma
glândula que produz um hormônio e a partir de um estímulo esse hormônio vai
para a corrente sanguínea, que tem como objetivo chegar a um órgão alvo. Ao
chegar nesse órgão alvo, tal hormônio causará um efeito.
Existem três formas de ação dos
hormônios: parácrina, autócrina e
endócrina.
- Parácrina:
quando o hormônio age na
célula ao lado da glândula da qual foi secretada;
- Autócrina:
quando o hormônio age na
própria glândula;
- Endócrina:
quando o hormônio atinge
órgãos distantes por meio da corrente sanguínea.
Também existem células neuronais
capazes de secretar hormônios, essa substância hormonal é chamada de
neurócrino.
Quem produz?
O hipotálamo é quem produz a
maioria dos hormônios e envia para as glândulas. Os corpos celulares dos
núcleos hipotalâmicos são os responsáveis pela síntese de hormônios, que vão
para a hipófise por via dos terminais dendríticos, e esta é a responsável por
armazenar e secretar tais hormônios. Ele faz contato com a hipófise, que é
dividida em adeno-hipófise e neuro-hipófise. Com a adeno,a “ligação” é através
do eixo hipotálamo-hipófise, que é um sistema vascular. Relaciona-se com a
neuro-hipófise pela via neuronal.
Como ocorre a ativação celular
desse hormônio?
A rota de ativação principal é pela
adenilatociclase: o hormônio reage com o receptor de membrana da célula,
formando a estrutura receptor-hormônio que ativa a enzima adenilatociclase.
Esta é a responsável por converter AMP em AMPc e este atua como segundo
mensageiro capaz de iniciar uma cascata de reações que irão originar o efeito
do hormônio. Em reações musculares, a calmodulina
é o segundo mensageiro.
Quais são os tipos hormonais?
Existem dois tipos hormonais: os
chamados esteroides e os não-esteróides. Os hormônios esteroides são formados
por colesterol e os ditos não-esteroides, por aminoácidos. Exemplos de
esteroides, os sexuais: progesterona, testosterona; não-esteróides: tireoideos,
peptídicas como a ocitocina e vasopressina.
Atletas com baixa densidade de gordura corporal apresentam amenorreia, devido a
não produção de esteróides que estão relacionados com a menstruação.
A regulação da secreção é
variável, podendo ser admitida a partir de feed back negativo (aumentoda
concentração plasmática induz a inibição da enzima de síntese) ou por razões
relacionadas ao metabolismo do corpo, como a glicemia alta que é o estímulo
para a secreção de insulina pelas células beta do pâncreas.
Hormônios
- Ocitocina: a ocitocina é um
hormônio produzido pelo corpo celular hipotalâmico que será armazenado e
secretado pela neuro-hipófise. A ocitocina é estimulada pela sucção
feita pelo bebê no peito da mãe durante a amamentação, ele então estimula
a ejeção do leite e também atua na contração uterina. Não apresenta relação
com o exercício físico.
- Vassopresina ou ADH
(hormônio anti-diurético): produzido pelo hipotálamo, é armazenado e
secretado pela neuro-hipófise. Durante o exercício, a concentração
circulante na corrente sanguínea é aumentada, devido à desidratação causada
pela sudorese .
- Beta-endorfina: secretada
pela adeno-hipófise, é considerada a mais importante endorfina dentre as
outras (alfa e gama).Seu efeito é generalizado, sendo produzida a partir
de um pró-hormônio (POMC). A POMC (Pro-opiomelanocortin) é sintetizada no
córtex da suprarenal e captada pela adeno-hipófise, posteriormente sofrerá
clivagensque darão origem às endorfinas. A beta-endorfina é sintetizada
durante o exercício físico e liberada após 30 minutos de duração.Estudos
apontam relação com vício pelo exercício em pessoas que praticam
diariamente ou há bastante tempo, uma vez que o hormônio tem propriedades
de analgesia, euforia e bem-estar.
- Opióides: são substâncias
derivadas do ópio, como a morfina, codeína e heróina. Utilizadas em amplas
situações, todas geram estados distintos ao indivíduo. A morfina tem efeitos
analgésicos, é muito utilizada em hospitais para tratamento de
queimados, portadores de câncer, e todos aqueles que sofrem de dor
constante e forte. A cadeína é
um analgésico menos potente do que a morfina e induz grande sonolência ao
usuário. A heroína gera
bem-estar e euforia ao usuário. Essas substâncias não são produzidas pelo
corpo, diferentemente da beta-endorfina.
GH: GH ou hormônio do
crescimento, é uma substância secretada durante toda a vida das pessoas, mesmo
em diferentes fases. Durante o desevolvimento, tem como função a proliferação
celular e na fase adulta, para a reparação tecidual. O GHRH é quem é produzido
e liberado pelo hipotálamo e quem vai estimular a secreação do GH. A
deficiência do GH gera nanismo.
Na prática esportiva, quanto maior a intensidade do exercício, maior será a
concentração plasmática do hormônio, por necessidade de maior reparação
tecidual. Em atletas, tem função de espessamento ósseo e crescimento de ossos
chatos. O corpo produz uma quantidade “x”, portanto quando administrado
exogenamente pode ser considerado dopping. O atleta que faz uso exógeno deve
administrar em período que anteceda o campeonato para que a quantidade possa
ser eliminada antes da competição. A medula
adrenal é dividida morfologicamente em medula e córtex. A medula
adrenal secreta catecolaminas e o córtex, aldoresterona, cortisol e DHEA.
Catecolaminas: são consideradas
neuro-hormônios, uma vez que estão vinculadas ao sistema neural simpático. As
catecolaminas são: a dopamina, a noradrenalina e adrenalina. A atividade física
ativa a secreção de catecolaminas como a noradrenalina e adrenalina, elas
ativam a lipase hormônio sensitiva (que aumenta mobilização de ácidos graxos
visto que esse hormônio atua quebrando os triglicerídeos) e aumentam a
atividade glicolítica.
O cortisol secretado pela zona fasciculada do córtex, tem como
função principal ser antiinflamatório, também atua na síntese proteica e é
conhecido como o hormônio do estresse. Portanto, em condições de atividade
física em que o estresse é apresentado, a secreção de cortisol é acentuada. O
estímulo para a secreção é via ACTH (adrenocorticótrofo) que é produzido pela hipófise.
A administração de medicamentos corticóideis, uso exógeno, também tem ação
antiinflamatória e causa retenção hídrica. É utilizado para acelerar o processo
de cura e diminuir sintomatologia dolorosa, portanto é para atletas com
inflamação fechada que não tenha bactérias. Além de efeitos antiinflamatórios,
o medicamento bloqueia os mediadores da dor. O cortisol tem efeitos
contra-regulatórios da insulina, portanto durante o exercício que há uma
diminução da concentração de insulina plasmática, tem-se um aumento de
cortisol, propondo hiperglicemia, visto que em situações de exercício a
concentração já diminui e somado à ação do cortisol, essa concentração diminui
mais.
A aldosterona secretada pela zona glomerulosa, faz regulação da
composição eletrolítica dos fluidos. Atua nos túbulos contorcidos proximais no
rim, aumentando a reabsorção de potássio, sódio e juntamente a água, por efeito
osmótico. Perdas hídricas durante o exercício, ativam a aldosterona e a
vasopressina.
Os hormônios tireódeos, secretados
pela glândula tireóide, são importantes reguladores do metabolismo, aumentam a
sua atividade metabólica. Pessoas com hipotireoidismo, possível falta de iodo
além de outros motivos, apresentam redução na taxa metabólica basal e
disposição para reserva de energia. Já pessoas com hipertireoidismo apresentam
magreza, hipertensão e outros. Durante o exercício, a concentração de hormônios
tireóideos são aumentadas , para
que ocorra o aumento do metabolismo basal. Após o exercício, observa-se
estabilização da concentração desses hormônios.
Pessoas
que iniciam uma dieta e após algum tempo deparam-se com um platô, ou seja, a
perda de peso é dificultada e não acontece, aconselha-se o início da prática de
exercício físico, pois o exercício irá aumentar a concentração de hormônios
tireoideanos aumentando também o metabolismo basal e tornando-se apto então a
perda de peso. Esse platô inicial deve-se à adequação dos hormônios à nova
ingesta calórica, admitindo ser a necessidade energética.