O controle motor, como o movimento, pode ser voluntário, automático
ou involuntário. O cerebelo compara o resultado do movimento que foi idealizado
com o movimento que foi executado. A diferença gerada pelas variáveis
ambientais faz o cerebelo enviar ao córtex sensório-motor as correções
necessárias ao mesmo tempo em que o movimento acontece. Indivíduos que sofrem
de doenças neurodegenerativas têm menor controle sobre o movimento que será
executado; deste modo, as diferenças geradas entre o que foi idealizado e o que
foi executado serão maiores.
Essa correção entre
movimentos realizada pelo cerebelo ocorre também quando aprendemos algo novo,
como tocar instrumentos e praticar um esporte novo, por exemplo. Por outro
lado, movimentos repetidos freqüentemente não necessitam mais de planejamento
para executá-los; estes movimentos são os chamados automáticos; como, por exemplo, a fala e a escrita.
Movimentos realizados ao
longo do tempo tornam-se engramas
ou programas motores. O programa motor é criado sempre que praticamos uma
habilidade. A memória de tentativas anteriores é usada para repetir fisicamente
a ação. Com prática, uma memória clara e precisa da habilidade é formada. Como
dizia aquele ditado: você nunca se esquece de andar de bicicleta. Uma vez estabelecidos,
correções nestes movimentos se tornarão mais difíceis, isto é, o tempo utilizado
para alterar o movimento de origem, por anos repetidos, será maior do que o
tempo utilizado para aprender um novo movimento. Em situações que o indivíduo
perca o padrão motor adquirido, como ocorre no acidente vascular encefálico,
este engrama terá de ser substituído por um novo.
Outro fato importante em
relação ao movimento automático é que indivíduos que apresentam maior
experiência motora (vocabulário ou repertório motor) apresentarão uma maior
capacidade de improvisação do que indivíduos restritos às situações rotineiras.
O reflexo de retirada será estimulado por fatores nociceptivos. Este
estímulo desencadeará potenciais de ação que estimularão o motoneurônio do
músculo flexor e uma sinapse com um interneurônio inibitório do músculo
extensor, ou seja, haverá a contração do segmento agredido e uma inibição de
contração com simultâneo relaxamento do músculo extensor. Ao mesmo em que isso
ocorre, o potencial de ação realiza o processo inverso do outro lado; mecanismo
herdado geneticamente da época em que éramos quadrúpedes e necessitávamos de um
apoio inverso para o equilíbrio. O reflexo
miotático origina-se nos receptores dos fusos neuromusculares e é o
reflexo motor que ocorre em resposta ao estiramento de um músculo. Com o
estiramento dos fusos neuromusculares presentes nesse músculo, fibras
sensitivas do grupo Iam levarão à medula espinhal potenciais de ação
sinalizando a ativação dos receptores dos fusos. O prolongamento central dessas
fibras sensitivas projeta-se monossinapticamente sobre motoneurônios
responsáveis pela inervação do mesmo músculo de onde partiu o estímulo, e
também sobre motoneurônios que inervam músculos agonistas.
O resultado do reflexo é a contração do músculo previamente estirado,
e de seus agonistas.
O reflexo miotático pode
ser dividido em reflexo miotático dinâmico e reflexo miotático tônico:
O reflexo miotático
dinâmico é provocado por um estiramento rápido do músculo originando um sinal
potente transmitido pelas terminações nervosas aferentes que causam uma
contração reflexa do mesmo músculo que originou o sinal. O exemplo mais
conhecido deste tipo de reflexo é o reflexo patelar.
Já o reflexo miotático
tônico contribui para o tônus muscular. Quando estamos de pé, de forma
inconsciente um grupo de músculos é estendido e outro grupo de músculo é
flexionado. Esse tipo de reflexo miotático tônico permite a manutenção da
postura natural. Pessoas que possuem um desnível de membro poderão desenvolver
uma escoliose por compensação através deste reflexo.
O reflexo miotático inverso é controlado pelo Órgão Tendinoso de
Golgi (OTG), localizado nos tendões musculares, e é responsivo à contração
muscular. O estímulo que causa a ativação do OTG é a tensão transmitida ao osso
pelo encurtamento dos sarcômeros. Cada órgão tendinoso tem um nervo sensorial
(aferente) que conduz potenciais de ação para o SNC informando sobre o grau de
tensão muscular decorrente da contração. Estes potenciais de ação são emitidos
em uma frequência proporcional à tensão desenvolvida pelo músculo. Este nervo
se conectará a dois interneurônios: um excitatório que transmite o impulso ao
eferente do antagonista e um inibitório, que bloqueia o sinal para a fibra
motora do agonista, causando seu relaxamento máximo.
Este processo tem por
função um feito protetor à musculatura esquelética; ou seja, se a tensão gerada
atingir níveis potencialmente lesivos aos tecidos relacionados, o reflexo
miotático inverso causa o relaxamento da musculatura que sustenta a carga,
interrompendo o processo de contração muscular e produção de força. Como
exemplo disto, temos a queda-de-braço.
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