terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Controle Motor

O controle motor, como o movimento, pode ser voluntário, automático ou involuntário. O cerebelo compara o resultado do movimento que foi idealizado com o movimento que foi executado. A diferença gerada pelas variáveis ambientais faz o cerebelo enviar ao córtex sensório-motor as correções necessárias ao mesmo tempo em que o movimento acontece. Indivíduos que sofrem de doenças neurodegenerativas têm menor controle sobre o movimento que será executado; deste modo, as diferenças geradas entre o que foi idealizado e o que foi executado serão maiores.

Essa correção entre movimentos realizada pelo cerebelo ocorre também quando aprendemos algo novo, como tocar instrumentos e praticar um esporte novo, por exemplo. Por outro lado, movimentos repetidos freqüentemente não necessitam mais de planejamento para executá-los; estes movimentos são os chamados automáticos; como, por exemplo, a fala e a escrita.

Movimentos realizados ao longo do tempo tornam-se engramas ou programas motores. O programa motor é criado sempre que praticamos uma habilidade. A memória de tentativas anteriores é usada para repetir fisicamente a ação. Com prática, uma memória clara e precisa da habilidade é formada. Como dizia aquele ditado: você nunca se esquece de andar de bicicleta. Uma vez estabelecidos, correções nestes movimentos se tornarão mais difíceis, isto é, o tempo utilizado para alterar o movimento de origem, por anos repetidos, será maior do que o tempo utilizado para aprender um novo movimento. Em situações que o indivíduo perca o padrão motor adquirido, como ocorre no acidente vascular encefálico, este engrama terá de ser substituído por um novo.

Outro fato importante em relação ao movimento automático é que indivíduos que apresentam maior experiência motora (vocabulário ou repertório motor) apresentarão uma maior capacidade de improvisação do que indivíduos restritos às situações rotineiras.

O reflexo de retirada será estimulado por fatores nociceptivos. Este estímulo desencadeará potenciais de ação que estimularão o motoneurônio do músculo flexor e uma sinapse com um interneurônio inibitório do músculo extensor, ou seja, haverá a contração do segmento agredido e uma inibição de contração com simultâneo relaxamento do músculo extensor. Ao mesmo em que isso ocorre, o potencial de ação realiza o processo inverso do outro lado; mecanismo herdado geneticamente da época em que éramos quadrúpedes e necessitávamos de um apoio inverso para o equilíbrio. O reflexo miotático origina-se nos receptores dos fusos neuromusculares e é o reflexo motor que ocorre em resposta ao estiramento de um músculo. Com o estiramento dos fusos neuromusculares presentes nesse músculo, fibras sensitivas do grupo Iam levarão à medula espinhal potenciais de ação sinalizando a ativação dos receptores dos fusos. O prolongamento central dessas fibras sensitivas projeta-se monossinapticamente sobre motoneurônios responsáveis pela inervação do mesmo músculo de onde partiu o estímulo, e também sobre motoneurônios que inervam músculos agonistas. O resultado do reflexo é a contração do músculo previamente estirado, e de seus agonistas.

O reflexo miotático pode ser dividido em reflexo miotático dinâmico e reflexo miotático tônico:
O reflexo miotático dinâmico é provocado por um estiramento rápido do músculo originando um sinal potente transmitido pelas terminações nervosas aferentes que causam uma contração reflexa do mesmo músculo que originou o sinal. O exemplo mais conhecido deste tipo de reflexo é o reflexo patelar.

Já o reflexo miotático tônico contribui para o tônus muscular. Quando estamos de pé, de forma inconsciente um grupo de músculos é estendido e outro grupo de músculo é flexionado. Esse tipo de reflexo miotático tônico permite a manutenção da postura natural. Pessoas que possuem um desnível de membro poderão desenvolver uma escoliose por compensação através deste reflexo.
O reflexo miotático inverso é controlado pelo Órgão Tendinoso de Golgi (OTG), localizado nos tendões musculares, e é responsivo à contração muscular. O estímulo que causa a ativação do OTG é a tensão transmitida ao osso pelo encurtamento dos sarcômeros. Cada órgão tendinoso tem um nervo sensorial (aferente) que conduz potenciais de ação para o SNC informando sobre o grau de tensão muscular decorrente da contração. Estes potenciais de ação são emitidos em uma frequência proporcional à tensão desenvolvida pelo músculo. Este nervo se conectará a dois interneurônios: um excitatório que transmite o impulso ao eferente do antagonista e um inibitório, que bloqueia o sinal para a fibra motora do agonista, causando seu relaxamento máximo.


Este processo tem por função um feito protetor à musculatura esquelética; ou seja, se a tensão gerada atingir níveis potencialmente lesivos aos tecidos relacionados, o reflexo miotático inverso causa o relaxamento da musculatura que sustenta a carga, interrompendo o processo de contração muscular e produção de força. Como exemplo disto, temos a queda-de-braço.

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