terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Crianças e Idosos

Quais seriam as principais diferenças fisiológicas e de desempenho em crianças e idosos quando comparadas a indivíduos adultos?
Crianças
As rotas bioenergéticas utilizadas predominantemente pelas crianças são ATP-CP e aeróbio lipolítico. Até a puberdade existe deficiência no sistema glicolítico, tanto aeróbio, quanto anaeróbio. Este fato se explica pela curva de atividade da PFK, que é uma importante enzima da via glicolítica:


Os níveis intramusculares mais baixos da enzima glicolítica fosfofrutoquinase contribui para o desempenho mais precário das crianças no exercício anaeróbico. Além disso, crianças não conseguem gerar um alto nível de lactato durante o exercício:

Entretanto, esta baixa capacidade anaeróbica gera uma maior capacidade aeróbica / oxidativa em crianças quando comparada a adultos. Há um menor déficit de O2 com o aumento de carga de trabalho; dentre outros fatores, as crianças inalam volumes de ar maiores (maior equivalente ventilatório) que os adultos para qualquer nível de consumo de O2 do exercício submáximo.
Ou seja, exercícios bons para crianças são os de alta intensidade e baixa duração (via ATP-CP) ou os de baixa intensidade e longa duração (via lipolítica).
Contudo, profissionais da área deverão dosar a carga do exercício, de modo que não sobrecarreguem-nas demasiadamente. Pois a exposição da criança a um treinamento de alta intensidade poderá acarretar em danos musculares, ósseos, articulares e psicológicos; levando ao fenômeno que chamamos de burn-out (queima de talentos por vias orgânicas e psicológicas precocemente).
Idosos
Em relação aos idosos, as principais alterações fisiológicas voltadas à prática de atividade física incluem:
· uma redução entre 40 e 50% de massa muscular, ocasionada pela atrofia das fibras musculares e pela perda de unidades motoras, resultando na redução da força;
· uma redução no VO2 máx relativo (aproximadamente 7ml.kg-1.min-1) em função da perda de sarcômeros ao longo do tempo de vida de um indivíduo (sarcopenia):


Além disso, em idosos há uma predominância das fibras do tipo I em razão da perda de fibras do tipo II, ou seja, as contrações passam a ser mais do tipo lenta.
Para amenizar este quadro, precisamos levar em consideração que o processo de envelhecimento ocorre a cada dia que passa, ou seja, para ser um idoso fisicamente ativo, precisamos ser fisicamente ativos ao longo da vida.
Mas qual seria o exercício mais indicado??
O mais indicado é se exercitar, pois o exercício aeróbio auxilia na capacidade funcional do indivíduo e o exercício resistido (musculação) auxilia na recuperação da massa muscular perdida com o tempo.


Em suma, a prática do exercício físico é recomendada em todas as idades. No entanto, como profissionais da área, devemos SEMPRE levar em consideração a capacidade física de cada um, assim como suas limitações.

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