FC:
A frequência cardíaca de uma
pessoa destreinada sofre uma aceleração relativamente rápida com as maiores
demandas do exercício; já em indivíduos treinados ocorre aumento menor da
frequência cardíaca. A FC aumenta linearmente em curva sigmoide de acordo com a
carga de trabalho, ou seja, quanto mais
intenso o trabalho, maior a FC até um ponto (carga máxima) em que a taxa
de incremento da FC tende a ser reduzida, aumentando em um ritmo menos intenso.
Isso ocorre pelo aumento progressivo da atividade
simpática (adrenalina aumenta a contratilidade miocárdica e acelera a
despolarização do nódulo S-A, aumentando a FC) e diminuição progressiva da
atividade parassimpática (acetilcolina retarda o ritmo de descarga sinusal, o
que torna mais lenta a FC). Além disso, durante o exercício, ocorre o aumento
do bombeamento muscular, aumentando o retorno venoso ao coração, estimulando o
nodo sinusal e aumentando a frequência de disparo, caracterizando o mecanismo
de ajuste mecânico. O sistema de
controle barorreceptor hormonal, que são terminações nervosas situadas nas
paredes das artérias é também estimulado pelo estiramento que ocorre durante o
exercício. Sinais 2ºs são emitidos, inibindo o centro vasomotor e estimulando o
centro vagal, que resulta na vasodilatação das veias e arteríolas, atenuando
esse aumento da FC durante o exercício. Isso ocorre em indivíduos treinados,
pois possuem um maior volume sistólico, maior funcionamento das bombas muscular
e respiratória, maior contratilidade, melhor funcionamento dos barorreceptores
(melhor elasticidade, complacência arterial), melhorando a capacidade de
resposta rápida. Além disso, o indivíduo treinado capta mais 02 no
miocárdio (o que representa uma economia cardíaca) para uma determinada FC do
que um indivíduo destreinado. Com a diminuição da FC ocorre a redução do risco
de infarto (morte por isquemia, fluxo inadequado).
VS:
Quantidade de sangue que o ventrículo esquerdo ejeta a cada sístole. Com o
treino, o nódulo atrioventricular emite menos impulsos, diminuindo os
batimentos por minuto. As catecolaminas estimulam o nódulo atrioventricular.
Não existe comunicação elétrica entre os ventrículos e os átrios, o impulso
gerado nos nódulos é direcionado para cada parte específica do coração.
Q:
O débito cardíaco(Q) é o volume de sangue ejetado do coração por minuto, ele é
composto por volume sistólico que multiplica a FC. É determinado pela pré-carga
(retorno venoso -> enchimento cavidade ventric.; distensão do miocárdio —
venoconstrição, bomba muscular, bomba respiratória:
quando há expansão há aumento de pressão favorecendo o retorno venoso), pela
contratilidade (lei de Frank-Starlin: distensão ótima do miocárdio favorecendo
a interação actomiosínica, aumentando a força de contração do coração) e pela
pós-carga (resist. Vasc periférica: viscosidade, comprimento e raio do
conduto).
No
exercício dinâmico a PAS aumenta de acordo com a carga de trabalho, dependendo
principalmente do VS e do DC. Já a PAD pode manter-se constante ou diminuir de
acordo com a carga de trabalho (depende essencialmente da resistência vascular
periférica- a qual tende a diminuir porque há vasodilação pelo estresse de
cisalhamento e de liberação de NO). No exercício estático, ocorre o aumento
menos pronunciado da PAS, no entanto a PAD tende a aumentar concomitantemente à
PAS. Isso acontece pela compressão dos vasos (venoconstrição) que aumenta a
resistência periférica, aumentando consequentemente a PAD (quanto maior a
musculatura e a intensidade da contração, maior a compressão vascular e maior a
PAD). Esse exercício utiliza o componente isométrico, que recruta a musculatura
para vencer a carga exigida (quanto maior o componente isométrico, maior a
resposta a PAD). Como efeito agudo, ambas tendem a aumentar. No entanto, ao
longo do tempo (efeito crônico), a PAS tende a aumentar de forma menos
acentuada (não sendo eficaz para o tratamento da HAS), pois ele traz adaptações
cardíacas, como: aumento do retorno venoso, aumento proporcional da parede
vascular, aumento da força (hipertrofia), fortalecimento da musculatura lisa,
aumento da complacência vascular.
As
células endoteliais estão continuamente expostas a 2 tipos de estresse, o
pressórico e o de cisalhamento. O estresse de cisalhamento gerado a partir do
atrito entre o tecido endotelial e os componentes do sangue gera aquecimento da
parede do vaso e consequentemente o aumento do consumo de O2, bem
como formação de radicais livres. As moléculas de LDL são oxidadas pelos RLs em
decorrência do processo de estresse oxidativo promovido pelo estresse de
cisalhamento. Quando este fenômeno ocorre no leito vascular não há maiores
complicações, já que essa molécula é captada e metabolizada pelo fígado. Se o
LDL invadir o espaço subendotelial e sofrer o processo de oxidação no
compartimento tecidual entre a camada de células endoteliais e a musculatura
lisa, gera-se um fenômeno de quimiotexia, ou seja, o LDL atrai mais
especificamente mononócitos, que sofrem algumas alterações e se transformam em
macrófagos. Na condição de aumento das concentrações de lipídios circulantes os macrófagos presentes na estrutura do vaso passam a
realizar a fagocitose das moléculas de LDL, incorporando gordura ao citoplasma
e aumentando seu volume. Essa mudança de morfologia celular caracteriza as células espumosas. O acúmulo crônico de células espumosas causa a deformação da
parede do vaso, estreitando a luz e formando uma placa aterosclerótica (ao
longo de décadas de vida). Estas células geram maior efeito quimiotático sobre outros monócitos, perpetuando o processo de infiltração. Somado a essas
alterações, a atividade das células espumosas induz à inibição da NO sintase,
dificultando a ocorrência e a regulação da vasodilatação.
Esse processo acentua
a redução da luz vascular, aumenta a velocidade de passagem na região afetada
pelo ateroma e a pressão local, gerando maior estresse de cisalhamento que
desencadeia novamente a cascata. Este processo denomina-se aterosclerose e o
impedimento mecânico à passagem do fluxo associado à patogenia da doença
estabelece relação causal com infartos e quadros isquêmicos. A prática regular
de atividades físicas reduz o acúmulo de gordura e altera o conteúdo do sangue
circulante, principalmente em relação à proporção LDL-HDL. O treinamento,
sobretudo aeróbio, provoca a gradual remoção da placa de gordura já formada, devida à ação do HDL. Cronicamente, o exercício promove a diminuição do
estresse oxidativo devido ao aumento das enzimas antioxidantes, adaptação desse
sistema, tornando-o mais eficiente.
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