As proteínas são mais um dos macronutrientes que compõem a dieta, sendo formadas por unidades chamadas de Aminoácidos, unidos por ligações peptídicas, as quais formam os di, tri, polipeptídeo. Somente os peptídeos com mais 50 aminoácidos pode ser denominados proteínas.
São constituídas por átomos de carbono, oxigênio e hidrogênio além de nitrogênio, enxofre ( mais usuais ) e de fósforo, cobalto, e ferro (menos usuais). Para descrevermos a síntese e degradação das proteínas, primeiramente temos que entender como se formam suas unidades básicas, os aminoácidos. Os aminoácidos são estruturas formados por um átomo de carbono, ligado a 4 elementos ( 1 átomo de hidrogênio, um grupamento carboxila, um grupamento amina, e uma cadeia lateral que confere especificidade ao aminoácido).
Podemos classificar os aminoácidos em 3 tipos: essenciais (que são obtidos somente pela dieta), não essenciais (síntese endógena) e os condicionalmente essenciais ( para síntese endógena necessitam de algum aminoácido essencial, ou que em determinado estado fisiológico se tornam essenciais). Apenas 20 aminoácidos são responsáveis pela síntese de proteínas de diversas funções e estruturas biológicas.
Síntese Proteica
Esse processo ocorre a partir de aminoácidos vindos da dieta ou de síntese endógena, e só é possível através da expressão gênica. Assim temos a molécula de DNA, sendo que 97% é não gênico, com função apenas regulatória; e apenas 3% gênico, ou seja, que realmente apresenta sequência ordenada para codificar proteínas ou RNA .
Duas etapas importantes desse processo são:
-A transcrição do DNA: ocorre no núcleo, em que após a separação da dupla fita de DNA e pareamento das bases nitrogenadas forma-se um filamento de RNA mensageiro (RNAm) com a informação genética que estava armazenada no DNA.
- A tradução do RNAm: em que ele se desloca até o citoplasma, mais especificamente nos ribossomos, e apresenta sequencias de 3 bases nitrogenadas, denominadas códons ao RNA ribossômico que irá traduzir esse RNAm acoplando os aminoácidos transportados pelo RNA transportador nos códons específicos. Cada códon é específico para um aminoácido, mas um mesmo aminoácido pode ter diferentes códons.
Assim os segmentos de aminoácidos vão sendo unidos formando um filamento proteico que ainda poderá ser internalizada no retículo endoplasmático rugoso para sofrer alterações químicas que irão aumentar a especificidade dessa proteína.
Esse aminoácidos provém da dieta, da biossíntese e da degradação das proteínas, o que gera um aumento da concentração de aminoácidos no plasma que chamamos de pool de aminoácidos, e a partir desse temos o estímulo para síntese proteica e de compostos nitrogenados, assim como para aumento da excreção e síntese de ácidos graxos em caso de excesso de proteínas na dieta. Deste modo, podemos ressaltar que a expressão gênica para síntese de proteína pouco ou nenhuma interferência sofre pelo aumento da ingestão de aminoácidos.
Proteólise
Processo pelo qual degradamos as proteínas que ocorre através da hidrólise das ligações peptídicas controladas pelas enzimas proteases. Liberando os aminoácidos que serão desaminados e/ ou transaminados, no fígado e no músculo, liberando o grupamento amino na forma de NH4 que será utilizado no ciclo da ureia.
O esqueleto carbônico resultante da desaminação ou transaminação pode seguir pelas vias de: gliconeogênese (intermediários da via glicotílica – formando piruvato), da oxidação (intermediários de ciclo de Krebs – formando oxalacetato), ou ainda para síntese de ácidos graxos – formando acetil- CoA).
Assim o balanço nitrogenado deve manter em equilíbrio entre ingestão, síntese e degradação de aminoácidos e proteínas através do pool de aminoácidos plasmáticos. Pois a ureia eliminada pela proteólise precisa ser eliminada, podendo ser pelo suor ou pela urina. Nagel (1981) demonstrou em seu estudo, sobre a excreção de ureia pelo suor durante o exercício físico, que uma dieta rica em carboidratos, mantém alta a reserva de glicogênio e isso faz com que se utilizem menos as proteínas na gliconeogênese durante o exercício. Pois com baixa ingestão em carboidratos, as reservas de glicogênio são consumidas muito rapidamente e logo já se recrutam as proteínas para manter o estado energético e fornecer os substratos para os intermediários das vias de manutenção da glicemia.
A ingestão adequada de proteínas estabelecida pelas DRI’s (Dietary Reference Intakes) estabelecem um consumo de 0,8 – 1,1 g/kg/dia de proteína para pessoas não atletas, e esses valores aumentam para em torno de 1,4 – 2,1g para atletas. Sendo que devido ao pool de aminoácidos o excesso da ingestão ocasiona um aumento da sua excreção e consequente aumento na síntese de triglicerídeos. Além disso, a dieta rica em proteína e pobre em carboidratos leva a adaptações metabólicas em que a rotas bioquímicas e de manutenção de glicemia passem a consumir mais proteínas e reduz o estímulos hormonal para síntese proteica.
Durante o exercício, em que temos aumento de demanda energética dependendo da intensidade e duração, temos depleção de glicogênio hepático e muscular, para manutenção da glicemia. Concomitante, temos o estímulo para a gliconeogênese, via de resposta mais lenta, que mantém o estado energético durante o exercício de endurance e intensidade. Assim o músculo esquelético que sintetiza alanina a partir do piruvato e a libera na circulação, esta é captada pelo fígado desaminada liberando piruvato para gliconeogênese e manutenção da glicemia.
Referências:
- Mc Ardle, William D. Fisiologia do Exercício: nutrição, energia e desempenho humano. Rio de Janeiro: Guanabara – Koogan, 2011.
- Colleen Smith, Michael Lieberman, Allan D. Marks. Bioquímica Médica Básica de Marks – Uma Abordagem Clínica. . 2ª Ed. Editora Artmed.